Um jeito manso: O meu dia 26 de Novembro de 2016 venda de amostras christian louboutin

Um jeito manso

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domingo, novembro 27, 2016

O meu dia 26 de Novembro de 2016


Dia de chuva e tranquilidade. Uma vez mais o meu corpo chegou ao fim da semana a pedir descanso. Na noite de sexta-feira, reclinada no sofá, o computador ao colo, ia escrevendo e adormecendo. Tenho um trabalho para fazer e enquanto pensava que seria preferível fazê-lo logo e tirar daí o sentido, o meu corpo recusava o esforço adicional. Sábado está a chegar ao fim e ainda não lhe peguei.
Queria responder aos comentários e adormecia. Fui para a cama mais cedo do que o habitual e dormi, de seguida, até às nove e tal da manhã. 



Quando acordei fui à janela e vi que chovia a bom chover. Liguei a televisão e vi que tinha morrido El Comandante . Pensei que o Marcelo tinha tido pontaria. Não que o tiro fatal tenha sido disparado por ele mas, enfim, conseguiu, por um triz, apanhá-lo ainda com vida. Pensei que a anciã Isabel II -- a tal que já era rainha quando Marcelo ainda era uma criança -- deve estar a pensar que, graças a deus, ainda está bem de saúde.
Fiz papa de aveia, arrefecia-a, misturei um diospiro aos bocados e um iogurte e comecei o dia em beleza. O bem que isto me sabe só eu sei. Rematei com um cafezinho bem quente e cheiroso.

Entretanto, o meu marido disse que tinha caído um botão da manga do casaco de bombazina castanho. O botão é daqueles redondos, forrados a pele. Tirei outro para servir de amostra.
Fomos os dois dar a nossa caminhada mas, antes, passámos pela retrosaria da rua. Já não existia. Lembrámo-nos, então, de ir ao chinês. Tinha botões (tem tudo o que se possa imaginar) mas nada que se parecesse com o pretendido. Aproveitei para comprar uma embalagem de alfinetes de dama e outra de alfinetes de cabecinha. Volta e meia é preciso fazer bainhas nas calças e já me reareavam os alfinetes para fazer as marcações. O meu marido trouxe também um frasquinho de plástico com óleo lubrificante. Já pôs num fecho de um blusão que estava meio emperrado e agora o fecho já fecha bem e experimentou pôr também numa máquina de aparar a barba que tinha deixado de funcionar e a verdade é que, com o bendito óleo, ela ressuscitou.

Lembrei-me, então, de uma retrosaria atafulhada de tudo e mais alguma coisa que havia num fundo de um pequeno centro comercial. Lá fomos. Ainda lá estava. O dono é um silencioso indiano já de alguma idade. A empregada, portuguesa, talvez da idade dele, pelo contrário, fala pelos cotovelos, ri, mete-se com os clientes e dá ordens no patrão. Mostrei o pequeno botão e de uma parede forrada a caixas de botões, saíu uma caixa de cartão com botões daqueles, de todos os tamanhos. 
Quando saíamos o meu marido disse: O senhor Inesh é amante da empregada e ela é que é, na verdade, a gestora da loja . Achei que talvez fosse verdade.
Depois fomos fazer outras compras, incluindo, claro está, diospiros na loja dos outros indianos. Trouxe dos redondos, rijos, e dos ovais, moles e suculentos. 
Despachadas as obrigações, fomos então às devoções. Andar: uma caminhada de cerca de uma hora. Chuva, frio, as ruas molhadas mas, de quando em vez, alguma luz quase dourada. Fotografar, um dos prazeres maiores. O meu marido retarda o passo, chama-me, queixa-se, 'assim não dá'. Gosta de andar de seguida, a ritmo certo, mas também não quer seguir viagem e deixar-me para trás, deve ter medo que algum mergulhão me envolva nas suas asas negras e mergulhe comigo até ao fundo das águas.

Almoçámos tarde. Durante o almoço, liguei aos meus filhos a perguntar se queriam lanchar cá a casa. Uma semana sem os ver a todos e já me dá umas saudades que só visto. Quiseram. Por isso, depois de almoço, fomos ao supermercado.
A seguir, ainda tive tempo de escrever um post sobre Fidel Castro no qual mostrei um vídeo com um discurso 'poético' que merece ser visto.

Quase logo a seguir chegaram eles. Primeiro fomos a um lugar onde os miúdos gostam de brincar. Depois viemos para cá para casa.
O lanche foi: paezinhos escuros com sementes várias e pão alentejano às fatias levemente torrado. Queijo limiano às fatias, fiambre, queijo fresco de ovelha e queijo fresco de cabra. Para uma tijela cortei, aos bocadinhos pequenos, dois tomates bem maduros, depois desfiz grosseiramente com um garfo e misturei azeite. Bom para colocar sobre fatias de pão torrado. Tinha também manteiga com flor de sal. E iogurtes líquidos, sumo de laranjas algarvias e bongos. 
Como acompanhamento, muito conversa. Depois do lanche fomos para a sala e os três rapazinhos andaram a brincar uns com os outros, a maior parte do tempo às lutas. A menina, sentou-se num cantinho e disse que ali era a sua casa e começou a brincar às comidinhas. Ela e um dos primos andam agora com um dentinho a menos. Estão todos crescidos, sempre muito bem dispostos: uma alegria pegada. E um desatino quando estão juntos num espaço confinado. No fim, foram para o quarto do meu filho, o mais pequeno pegou na guitarra do pai, que ficou cá em casa, sentou-se na cama, os outros à sua volta, e tocou e cantou com energia e boa voz. Os mais crescidos ficaram de pé a assistir ao espectáculo.


Quando se foram embora, fomos os dois a casa dos meus pais. O meu pai, como sempre, muito queixoso por ter estado no cadeirão. Diz que na cama é que está bem, que não suporta a tortura de passar a tarde no cadeirão. Digo que é o médico que quer, que é bom para a circulação, para a respiração, para não perder completamente a massa muscular. Fica todo zangado, diz que não é verdade. Recordo a pneumonia que teve o ano passado, que esteve internado, que os médicos disseram que devia estar levantado para as secreções não se acumularem nos pulmões. Diz que me cale, que não é verdade, que não teve pneumonia nenhuma, que não esteve no hospital, que estou a inventar. A minha mãe diz que não vale a pena. De tarde, refila horas a fio, zanga-se com ela, dá-lhe cabo da cabeça. De vez em quando, vai-se um bocado abaixo, ela. Não quer sair para se ir distrair porque lhe custa deixá-lo em casa, se calhar aflito, a chamar por ela, mas, por outro lado, está saturada, muitas vezes com os nervos à flor da pele. Mas como é como eu (ie, eu é que sou como ela), tem uma facilidade enorme em pôr os problemas para trás das costas e, por isso, logo depois já estava a queixar-se que não conseguia ir à internet no telemóvel. Estava com os dados desligados. Nunca sabe o que faz para desactivar aquilo mas, volta e meia, as coisas estão desactivadas. Liguei. E estive, outra vez, a ver com ela como fazer pesquisas ou ver imagens via google (decoração de bolos, mantas de lã, etc). Também estive a mostrar-lhe como enviar fotografias tiradas no telemóvel por sms. Para exemplificar tirei-lhe fotografias a ela e à senhora que trata da higiene do meu pai que, entretanto, tinha chegado. Ficaram as duas todas divertidas a verem-se nas fotografias.


Depois, à vinda, pelo caminho, como tantas vezes acontece, resolvemos encomendar uma piza grande, metade com alcachofras e presunto e a outra metade vegetariana com queijo feta.

Passámos a buscá-la e quando chegámos, já um bocado para o tarde, estivemos a jantar. Não estava com fome pelo que comi pouco e acompanhei com um chá de erva cidreira.

Agora estou de regresso ao meu sofá aconchegante. Claro que já está a dar-me o sono. Tenho que fazer algum esforço para me manter de olhos abertos. Se os fechar, tenho a certeza que adormeço instantaneamente. Eu estou num sofá e o meu marido está deitado noutro e temos um aquecedor a óleo ao pé de nós. Ouço a chuva, sinto o calorzinho bom, estou a escrever. E sinto aquela paz tão boa que me faz sentir agradecida.


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As fotografias foram feitas de manhã.
Lá em cima, é Judy Collins e Graham Nash interpretando - "I Think It's Going To Rain, Today"
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E ainda não é hoje que vou responder aos comentários (que agradeço!) nem aos mails pois vou agora começar a fazer o meu TPC.

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Que voz bonita tem Judy Collins! Nem parece que os anos passaram, talvez que os agudos menos agudos e por menos tempo, mas a melodia é toda ela. A mesma voz.

Os seus dias são bem mais interessantes que os meus. Faz muita coisa. E com muita gente:).

Como foi o meu dia ontem? sei lá, acho que acordei cedíssimo e me deixei ficar preguiçando até ser menos cedo. Quando me fartei de as horas não passarem, acordei a gata e parte da casa e desci a tomar o pequeno almoço. Tirei e estendi duas máquinas de roupa. Voltei à cama e, no quente, andei pela net. Levantei-me quando já a casa estava de novo só ela e fui correndo ao estendal debaixo de uma chuvada inclemente que nos encharcou - a mim e à roupa - e que apostrofei de tudo enquanto deixava cair as molas e, a esmo, atirava mangas e pernas para os alguidares. Estendi parte no alpendre e voltei a casa. Mudei de roupa e limpei a cabeça. Comecei o almoço intervalando com idas ao alpendre a pendurar os restos engalfinhados que chiavam por dentro da misturada de pernas, braços, mangas e etc. Quando o almoço ficou pronto e me puseram a mesa, sentei-me - já tudo à mesa em preliminares de queijos e mais não sei quê que nem reparei -. E parece que sim, estava a gosto. Entretanto lembrei-me que me esquecera de pôr as castanhas a assar e levantei-me. Enquanto assavam e no meio de alheias conversas, fiz um tempinho breve no tricot. Comemos as castanhas, levantei parte da mesa, lavei parte da loiça e sentei-me de novo ao tricot a conversar com os meus filhos, o calor da salamandra em agradável fundo. Depois de passarmos em revista todos os canais de TV, optei pelo computador e terminei Viagem a Tóquio - de auscultadores para ninguém ficar prejudicado -, um filme que apreciei deveras. Entretanto, eles viam futebol. Comecei a pensar no jantar, fiz sopa e preparei os cogumelos para o forno - recheei. Subi ao sótão e arrumei umas roupas que tinham ficado esquecidas aquando da chuvada da manhã. Quando terminei a sopa, o jogo de futebol já era outro e aguardava-se um próximo. Sentei-me e duas ou três voltas depois no tricot fui de novo para a cozinha: fiz os cogumelos no forno, fritei batatas, aqueci o frango de cebolada, cozi umas massinhas frescas chegadas directamente de Itália via Lidl e pedi mesa posta. Entretanto, o pai chegou. Fui lavando loiça e enchi nova máquina de roupa. Jantámos. Dediquei mais um bocadinho pequeno ao tricot, ensonei, mas ainda estivemos na discussão de filmes e realizadores e etc. Subi meia zonza. Estive uma réstea de tempo a blogar sem saber muito bem o que fazia e desisti. Adormeci na hora. E acordei às cinco. Fiquei um bocado a fazer tempo para acordar cedo e começar tudo de novo.
Não parece nada interessante, mas foi descansado.

novembro 27, 2016 Um Jeito Manso disse...

Olá bea,

Gosto sempre imenso de ler a descrição dos seus dias. Eu também gosto de fazer tricot. Gostava de saber o que está a fazer. E fico sempre a perceber que também tem um blog mas nunca diz qual é. Também gostava de saber.

E vejo que faz coisas elaboradas como cogumelos recheados. também gostava de saber como os faz.

E parece-me tudo bastante interessante, bea.

Uma boa semana para si!

novembro 28, 2016 Ana Vasconcelos disse...

Tenho gostado muito de ler os textos dos seus fins de semana, pelo que muito exprimem e se entreve por detras dos detalhes.

novembro 28, 2016 bea disse...

JM

não goze comigo, tá?

Estou a fazer prendinhas de Natal:). Prometi às minhas amigas uma coisa feita por mim. Em cada Natal calha a uma ou duas que não me posso esticar muito no tempo de tricot. Este ano faço gorros e capas. Mas tenho uma écharpe mais ou menos pensada até final de Dezembro (uma prenda especial). E há umas almofadas para alfinetes bordadas a ponto cruz que são muito queridinhas e também gostava de oferecer, mas não sei

Nunca lhe disse que tenho um blogue. Mas posso ter.

Cogumelos recheados é a coisa mais fácil e menos elaborada que existe:). E a receita é capaz de estar na net (a minha é a olho - uns restinhos de carne desfiada (sobras), os pés dos ditos partidos miudamente, cebola...e o que mais se lembre); vai a lume com uma pinga de azeite até a cebola ficar cozida - refogada (mais ou menos transparente); em seguida deita-se salsa picada e está feito; Depois de lavados, enchem-se os cogumelos (grandes); cobrem-se com queijo laminado e vai ao forno por 15 a 20 minutos talvez. No meu forno ponho na prateleira de baixo mais ou menos a 200º (é um forno pequeno e com calor em baixo e em cima). E não sei bem o tempo porque vou olhando e logo se vê.

Boa semana, JM:)

novembro 28, 2016 Um Jeito Manso disse...

Olá Ana Vasconcelos!

A sério que gosta? Quando me ponho a escrever aquilo penso sempre que é um disparate pois são banalidades sem qualquer interesse. Mas gosto de escrever aquilo, quer crer? Ainda bem que gosta de ler.

Obrigada.

E uns dias felizes para si, Ana Vasconcelos.

novembro 29, 2016 Um Jeito Manso disse...

Olá bea!

Pois esses cogumelos devem ser bem bons! A ver se os faço.

Houve uma altura que eu fazia bordados em bastidor, em cetim. Desenhava os contornos e depois enchia. Gostava de fazer em cetim preto e os motivos muito coloridos. Por vezes motivos abstractos, outras vezes flores meio abstractas. Em pequenino, para aí com 10 cm de diâmetro. Depois emoldurava em moldurinhas redondas. E também houve alturas em que fazia tricot. Camisolas. Inventava. Mas desisti, tanta camisola tão bonita à venda e a preços tão razoáveis. Passei para os Arraiolos. E para a pintura. Agora é isto do blogue.

Mas conte lá, bea, deixe-se de mistérios. Diga lá o nome do blog!

E obrigada pelos votos de boa semana. Para si também!

novembro 29, 2016 Ana Vasconcelos disse...

Gosto mesmo muito, UMJ, porque a vida e feita destes detalhes, e poucos sabem exprimir os sentimentos por que passamos quando os vivemos, por detras duma aparente descricao. A sua escrita toca-me, especialmente quando fala dos mais velhos - e dos mais novos, tambem.
Peco desculpa pela falta de acentuacao, mas nao tenho um teclado Portugues a mao.
Uma semana feliz para si.

Ana

novembro 29, 2016 Um Jeito Manso disse...

Gracias, Ana. As suas palavras agora também me tocaram. Que bom saber que as minhas palavras chegam a quem me lê (a alguém, pelo menos). Gracias.

novembro 29, 2016 bea disse...

JM
Nenhuma camisola tem o calor das que a gente faz para quem gosta se as souber fazer e ficarem de jeito. E houve uma altura em que era uma forma de vestir barato e com alguma graça, mas copiava de revistas e pouco inventei. Nesse tempo, tricotava à velocidade da luz, horas e horas a ver crescer os desenhos:). Mas satisfaz-me bastante ver as fotos dos meus filhos e do meu mano mais novo vestidos com o que lhes fiz. E quantas se gastaram sem uma foto! Estudei sempre com um tricot dentro da pasta:).
Arraiolos experimentei mas faz-me alergia e desisti no acto. Gostaria bastante de aprender esse bordado de Castelo Branco com linha de seda. Um ano em que me sinta mais abonada inscrevo-me no curso e aprendo. Quanto a pintura...gosto das cores e de misturá-las, mas nunca soube desenhar:). Olhá-la gratamente nos museus é o que sei fazer melhor.

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Par Julien, le 25 juin 2011
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